Resumo
Palavras-chave:
Fenomenologia da religião; método; ensino religioso.
"Não há mais como negar a religiosidade como um
modo próprio de ser no mundo. A busca das religiões e dos profissionais ligados
ao acompanhamento espiritual e psicológico é hoje um direito do cidadão, como a
alimentação, a saúde, a justiça e a educação". Massih (2009, p. 192)
O que é fenômeno?
Aquilo que aparece, que se manifesta, se mostra e, se há algo que aparece (não apenas
fisicamente) é porque há um sujeito que o percebe. Este que percebe deve dizer
o que significa o percebido; que sentido tem isto que ele percebe. Para
conseguir este resultado (dizer aquilo que percebe) é necessário o uso de um
método: a fenomenologia. Cremos que é necessária uma breve exposição sobre
fenomenologia.
Ao elaborar as bases da
fenomenologia, Husserl parte da seguinte afirmação: o ser humano compreende o
sentido (o que é essencial) das coisas, mas há coisas que o sentido não lhe
ocorre imediatamente, logo, é preciso ‘colocar entre parênteses’ a existência
dos fatos e buscar apenas o sentido para o sujeito que compreende. O que não
significa negar a existência dos fatos e que, tão importante quanto encontrar o
sentido do fenômeno, é explicar quem é este que compreende. A investigação
fenomenológica cuida destas “duas frentes”: do objeto investigado e do sujeito
que investiga. Para descobrir o sentido daquilo que aparece – o fenômeno – a
fenomenologia investiga também o sujeito, afinal, se não há sujeito que percebe
o objeto, então, não há objeto percebido e vice-versa. Ou, explicando de forma
positiva: só há objeto percebido quando há sujeito que percebe.[1]
A
percepção é um elemento primordial para Husserl. Através dos sentidos – uns mais,
outros menos – tem-se acesso à consciência. Logo, ser humano é ter consciência
de estar realizando atos: ver, ouvir ou tocar algo sabendo que faz isto; é
saber que se está vivendo (enquanto vejo, sei que vejo; tenho consciência disto).
O ser humano, a partir da percepção, reage e também sabe que está reagindo. Diferentemente
de uma ação por impulso, a pessoa pode ter a consciência de que toma uma
decisão por impulso e isso é, segundo Husserl, um nível diferente de
consciência do que a primeira (a respeito da percepção). Ademais, pode refletir,
por exemplo, sobre o que vê e o que faz a partir daquilo que vê, por esta razão,
pode-se afirmar que temos atos perceptivos, chamados corpóreos, atos psíquicos
(impulsos, reações, etc) e reflexivos que são decisões, avaliações, chamados de
atos espirituais, tudo sempre ‘anotado’ na consciência, que é sempre consciência de. Isto não faz da
consciência uma substância pensante separada da matéria ou presente nela ou em
algum lugar, tão pouco lhe dá um caráter psíquico ou espiritual. Consciência,
na filosofia husserliana, é “ponto de convergência das operações humanas, que
nos permite dizer o que estamos dizemos ou fazer o que fazemos como seres
humanos”.[2]
Para Husserl, ‘consciência de’ é intencionalidade:
uma relação de intenção a, para
definir o que a coisa é. Este “movimento” ficou conhecido como o retorno a coisa mesma – lema da
fenomenologia. Há de se retirar todo o entorno da coisa, separa-la de tudo
(preconceitos, pressupostos, crenças, teorias, por exemplo) e ‘colocar entre
parênteses’ tudo o que seja predicativo, para então ter-se consciência de – a isto Husserl nomeou de redução fenomenológica.
Sabe-se que a
Fenomenologia, na busca de superar o dualismo clássico sujeito-objeto, procura descrever
aquilo que se mostra. Isto ficou conhecido como ‘um retorno as coisas mesmas’;
estudando as essências e todos seus problemas a partir de sua facticidade,
pretende a compreensão das afirmações da atitude natural. O conhecimento,
segundo as correntes filosóficas fenomenológicas, ocorre pelo processo descritivo
ao sujeito que se dá conta de que suas percepções não esperam seu julgamento,
elas ocorrem: “algo que eu percebo”. Na tentativa de descobrir o mundo, a fenomenologia se põe diante deste, certa que
verá apenas aquela faceta que lhe é possível ver, embora o que está diante de
si, coloca-se totalmente como é. Sendo conhecedora da fenomenologia de Hussell
e adotando esta linha filosófica como método para suas investigações, tomamos
por base o pensamento de Edith Stein[3]
que apresenta a revelação e a experiência mística como hipóteses para a compreensão
do sentido do ser e afirma que, sendo hipóteses, o conteúdo religioso não pode
deixar de ser examinado pelas ciências humanas. Se o objetivo for apresentar um
sentido para o fenômeno religioso, a fenomenologia da religião é, obviamente, o
método por excelência. Cito Mirceu Eliade:
“Um fenômeno
religioso somente se revelará como tal com a condição de ser apreendido dentro
da sua própria modalidade, isto é, de ser estudado à escala religiosa. Querer
delimitar este fenômeno pela fisiologia, pela psicologia, pela sociologia e
pela ciência econômica, pela linguística e pela arte, etc... é traí-lo, é
deixar escapar precisamente aquilo que nele existe de único e irredutível, ou
seja, o seu caráter sagrado.”[4]
Todavia, é um método
consagrado para a pesquisa e os estudos em nível acadêmico, principalmente, nas
ciências da religião e na teologia. Nosso intuito é verificar se este método
poderia ser aplicado nos níveis escolares do ensino fundamental e médio,
verificando também a forma como este método pode influenciar na formação dos
adolescentes, afinal compreender a si mesmo e a tudo o que forma o humano, é o
intuito maior e sempre presente da educação.
No
que tange ao ensino religioso, a abordagem fenomenológica possibilita ao
aprendiz uma aproximação com a história, as artes, a filosofia, a sociologia,
antropologia, psicologia, além das áreas da linguagem e biológica, uma vez que o fenômeno
religioso traz um núcleo de sentidos e significados múltiplos. Presente em
todas as culturas e revelando através da simbologia, ritos, comportamento ético
e afins, o fenômeno religioso deve ser estudado pela fenomenologia, porque é um
método que não reduz o conhecimento a algo socioantropológico, e sim recupera e
exalta a subjetividade expressa em várias chaves como: artística, política,
relacional etc, vistas nas mais variadas experiências religiosas.
Desenvolvimento
O
ensino/aprendizagem ocorre, basicamente, de três formas: pela aplicação do
conteúdo, que podemos chamar de ensinar pela palavra, pela ação pedagógica – as
ações didáticas escolhidas para a apresentação do conteúdo – e, por fim, pelo
exemplo do professor.
Evidentemente, o
educador nunca conseguirá ser totalmente neutro. Sua forma de falar, seu agir,
o que compreende sobre determinados conteúdos, até a escolha destes conteúdos
são influenciados por determinadas convicções e princípios. Assim, como nas
demais áreas do saber científico, também o ensino religioso requer um tipo
singular de profissional. Ao propor a fenomenologia da religião como método de
ensino/aprendizagem para a disciplina de ensino religioso, consequentemente, se
propõe um perfil de professor, porém sem desqualificar outros métodos e,
portanto, outros profissionais.
Como nossa abordagem
trata também de um tipo específico de instituição de ensino, a saber: escolas
particulares confessionais, quando buscamos o pensamento Edtih Stein para
nortear nossa pesquisa, não o fizemos aleatoriamente[5].
Com longa e profunda experiência de sala de aula neste tipo de instituição,
Stein possui propriedade o bastante para estabelecer certos fundamentos para o
ensino religioso cristão. Segundo a educadora existem três ideias centrais
quando se trata do ensino/aprendizagem: “a necessidade de uma educação
harmoniosa, a fundamentação religiosa da ação educadora, o caráter especial da
formação feminina.”[6]
A primeira ideia
(educação harmoniosa) afirma que a criança depende de determinados cuidados
para que se desenvolva de forma equilibrada (harmoniosa)[7].
Isto, no pensamento steniano, significa: orientar os desejos, os sentimentos e
as vontades da criança, pois o que está em jogo é o equilíbrio físico e
psíquico desta criança. Edith Stein fundamenta esta ideia na filosofia grega e na
revelação religiosa-cristã, de maneira especial a doutrina de Santo Tomás de
Aquino, fundador da Escolástica e grande conhecedor do pensamento aristotélico.
Cito Edith:
“A imagem de
Deus está presente na alma humana em forma embrionária. Para desenvolver essa
forma interna, a criança precisa de ajuda dupla: do auxílio sobrenatural da
graça e do auxílio natural do trabalho de formação humana. ”[8]
A primeira ideia abre
caminho para a ideia subsequente que fala da necessidade da religião na
formação do educando. Segundo a filósofa e carmelita descalça Edith Stein, cabe
ao professor que trabalha em uma instituição que admite os ensinamentos
cristãos como verdade, colaborar para a construção do reino de Deus, reino de
justiça (uma sociedade justa). Ou seja, não é a doutrinação à religião cristã,
mas quando afirma “reino de Deus” refere-se a um mundo pacífico, justo e
benévolo. Neste ponto, a educadora trata da relação de proximidade e confiança
que deve ser construída entre professor e aluno. Este é o ponto que
interessa-nos expor neste artigo. Edith aconselha que seja estabelecida entre
professor e aluno: uma relação que tenha por base o sentimento de empatia[9].
Para Stein, educador e
educando formam uma “unidade orgânica”, ou seja, é necessária uma relação de
confiança tal, que o ato de educar seja, na verdade, uma orientação que possibilite
a ação do aluno. O professor é um guia que percebe – por estar atento – as lacunas
que precisam ser preenchidas na vida do educando. Desta maneira, os termos guiar e educar tornam-se termos conexos. Aliás, sobre o conceito formação é preciso saber que, para Edith
Stein, educar significa formar um material, ‘dar forma a’, por isso, muitos
elementos devem ser levados em consideração durante o processo formativo, que
mais é um “conduzir para uma sabedoria de vida, para a realização plena de si”.[10]
A terceira ideia a
respeito da formação humana, segundo Stein, está ligada a própria natureza, ou
seja, questões pedagógicas devem seguir fundamentos antropológicos. Edith Stein
percebe que a pedagogia aplicada, na época, baseava-se exclusivamente na psique
masculina, então formulou um plano de reforma pedagógica para a educação de
jovens moças baseado, especificamente, na essência feminina que, segundo Stein,
corresponde a afetividade.[11]
Nosso artigo não visa a pesquisa da natureza feminina, mas asseguramos muita
beleza e a profundidade do pensamento steniano sobre a essência da mulher,
especialmente por ser escrito no início do século XX, momento de grandes
debates a respeito do papel da mulher na sociedade, sendo importante a
investigação a este respeito e de nosso interesse para futuras investigações. Para
a questão do nosso artigo, as duas primeiras ideias quanto a formação humanas
mostram-se mais diretas para examinarmos o porquê do uso da fenomenologia como
método para o ensino/aprendizagem na disciplina de ensino religioso para
crianças, adolescentes e jovens numa escola confessional cristã[12].
Como já demonstramos, a
fenomenologia tem como princípio mais elementar a busca pelas coisas mesmas. Transpondo isto para a educação pode-se
compreender: buscar o educando mesmo, levando
em consideração a questão antropológica sempre relevante no pensamento steniano
(terceira ideia sobre educação). O ato de educar não pode visar apenas o
conteúdo a ser ensinado, mas os agentes que participam desta ação. Há uma
realidade na qual o ensino será exposto e uma individualidade a ser respeitada
dentro do processo educativo. Cito Dra. Adair Aparecida Sberga:
“É por meio da
educação, das experiências de vida, das relações humanas e/ou e outros fatores
que a pessoa vai gradualmente fazendo a experiência de se expressar por si
mesma, de formar seus pensamento de emitir suas opiniões e julgamentos e,
quanto mais consciente estiver sobre o modo como está vivendo e agindo no
mundo, mais possibilidades terá para agir com liberdade, autonomia e
responsabilidade.”[13]
O método consiste,
portanto, de dois passos: o primeiro, retirar tudo o que é superficial e pôr em
evidência a essência do educando, para realça-la. Assim, o educador saberá
‘preparar corretamente as formas que a matéria precisa para ser moldada’. O
segundo passo é a análise das vivências – algo totalmente subjetivo, cabendo
preferencialmente ao educando, visto que ele precisa conseguir ‘tomar posse de
uma forma’. O aprendizado é iniciado a partir de uma realidade concreta da vida,
elabora-se conteúdos condizentes a tal realidade, para então produzir uma
análise reflexiva que o faça “perceber a si mesmo e como interpreta e avalia
suas próprias vivências”[14],
tornando a formação bem mais que simples transmissão de conhecimentos de um indivíduo
para o outro.
Na busca desta formação
plena do estudante, a disciplina de Ensino Religioso, como em qualquer outra
área do conhecimento, é marcada pela mudança de pedagogias que nortearam e
norteiam a disciplina no Brasil. Verificamos que, basicamente, foram quatro tendências
pedagógicas ao longo dos anos, no Brasil[15],
isto porque o próprio termo religião sofreu uma série de traduções e
influências no seu significado[16].
Sucintamente podemos apresentar as seguintes pedagogias[17]:
- Pedagogia tradicional:
a concepção de religião está vinculada ao termo reeligere = reescolher, que tem por finalidade fazer seguidores,
portanto a disciplina é uma doutrinação e tendo como principal metodologia a
memorização.
- Pedagogia renovada e pedagogia libertadora: a
concepção de religião está ligada ao termo religare
= religar, tendo por finalidade tornar as pessoas mais religiosas, sendo a
disciplina de Ensino Religioso entendida como uma vivência de valores (ética) e
com sua metodologia focado no ver, julgar, agir e celebrar (como funciona uma
pastoral). Assim, o importante seria a vivência de valores através de gestos
concretos.
- Pedagogia
construtivista: vincula a concepção de religião ao termo relegere = reler, tendo por finalidade reler o fenômeno religioso e
compreendendo a disciplina de Ensino Religioso como área do conhecimento
centrada no fenômeno religioso; sua metodologia é o convívio social, a relação
entre as culturas e tradições religiosas.
Todas as quatro
pedagogias apresentadas estão ligadas a uma lei de ensino que vinculou em
determinado período no Brasil. O artigo 33 das leis de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDBEN) n. 9.394/96 e os Parâmetros Curriculares Nacionais
para o Ensino Religioso (PCNER) afirmam, entre outros, que os procedimentos didáticos
para esta disciplina devem considerar o sujeito (educando), o objeto (fenômeno
religioso) e o objetivo (conhecimento), portanto, podemos observar que a
pedagogia que mais condiz com o que a lei norteadora de educação para a
disciplina de Ensino Religioso é a última pedagogia exposta: a pedagogia
construtivista, que, ao que tudo indica, pode ser aplicada plenamente quando
seu método for a fenomenologia da religião.
Conclusão
Na introdução deste
artigo, pretendi expor o que comumente se compreende por fenômeno religioso e
apresentei seu conceito conforme a fenomenologia, segundo Edmund Husserll. Fiz
desta maneira, pois o intuito era, justamente, aprofundar o entendimento sobre fenomenologia,
visando o desenvolvimento do mesmo tema, a saber: se esta área e método
filosófico é adequado para o estudo da disciplina de Ensino Religioso.
Na sequência, expus uma
brevíssima explicação do que vem a ser a fenomenologia e apresento a biografia
de Edith Stein, fenomenóloga e seguidora da escola husserliana, também pedagoga
e freira carmelita. Existem sim vários outros renomados autores na mesma área[18],
mas recorri a Edith Stein para a realização deste artigo por compreender que
sua vida, tanto quanto sua obra, vão de encontro com minha pesquisa e anseios.
Iniciei a parte central
deste trabalho, refletindo sobre algumas possíveis formas de ensino e,
consequentemente, que perfil de educador é possível encontrar nas instituições
de ensino. Fiz desta forma porque a proposta a qual me propus investigar tem
uma relação intrínseca entre educando/educador/conteúdo. Revendo o trabalho,
vejo que muito sobre o perfil do educador ficou por ser dito, mas acredito que
outras fontes tratem desta questão de forma centralizada e efetiva, sendo que, para
aquilo que nos propomos esta é uma discussão que corre paralelamente.
Tomando
diretamente a questão da análise do método, pude perceber que a fenomenologia é
o método mais adequado para a disciplina de Ensino Religioso, porque reforça o
que a pedagogia construtivista quer alcançar: a abordagem do fenômeno religioso
através da observação, reflexão e informação, vinculando o saber de si ao
convívio social e a relação entre as culturas e tradições religiosas, além de
propiciar que o educando descubra este conhecimento, tornando o educador guia
nesta trajetória.
Aprofundando a
investigação a respeito da fenomenologia enquanto método verifiquei que a forma
como Edith Stein indica o seu uso (partindo de uma análise antropológica –
aquilo que há de mais essencial no ser humano), proporciona que a pessoa se
torne consciente dos seus atos já no momento em que os realiza. Isto é mais do
estar consciente de que está agindo, é estar consciente de como está agindo. É refletir a ação que está sendo praticada. Na
maioria dos casos, o que se vê são métodos de ensino que não levam a uma
reflexão a respeito da ação praticada ou só levam a alguma reflexão, após o ato
cometido.
“O primeiro
nível é de fundamental importância para o ato educativo, pois é a partir dele
que se deve iniciar o processo pedagógico, mas se não se chegar ao segundo
nível, não se atinge a finalidade da educação.”[19]
Tornar o educando
consciente de suas ações, no momento em que estão sendo praticadas, é uma das principais finalidades da educação,
afinal a reflexão leva ao conhecimento de seu próprio eu. Logo, conhecendo bem
a si mesmo, o educando tem maiores possibilidades de agir em prol de sua
própria formação, até para solicitar auxílio. Mas o que nos parece de
primordial importância na sociedade atual é a capacidade que desenvolve-se no
educando de “assumir as responsabilidades perante o processo da própria
formação”. O mundo atual possui um leque enorme de oportunidades de formação
para aqueles que “chamam para si” a responsabilidade de atualizarem-se, pois a
facilidade de acesso a informação é extraordinariamente maior do que foi para
todas as gerações passadas. Cito:
“Esse
processo educacional pode se dar por meio de seus comportamentos e atitudes, da
averiguação de suas posturas relacionais e tomadas de decisão, da capacidade de
construir seus projetos futuros e concretizar seus sonhos etc., sempre em vista
de seu crescimento e aperfeiçoamento pessoal e social.”[20]
Esta é a questão que precisamos
estar atentos: o educador tem uma função indispensável, pois é ele quem “liga”
o conteúdo e o aluno, contudo é limitado porque exerce uma influência externa.
Apenas a partir da vontade do educando de se abrir e aceitar a formação é que
se alcança a verdadeira atividade educativa. No que diz respeito ao ensino
religioso, não se deve reduzir as experiências religiosas a formas de conduta.
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[1] ALES BELLO, Angela, Introdução à Fenomenologia, p. 23
[2] Idem, p.
45
[3] Edith Stein, filósofa de origem
judaica, nasceu em Breslau-Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891. Começou seus
estudos em Filosofia ali mesmo e, em 1913 transferiu-se para Gottingen para
acompanhar as aulas e o pensamento de Edmund Husserl, por quem foi orientada
durante sua tese de doutorado (1916) e tornando-se sua assistente mesmo depois
da mudança deste para a faculdade de Friburgo.
No ano de 1921, converteu-se ao catolicismo após a leitura do livro de
Santa Teresa de Jesus (de Ávila), intitulado Livro da Vida, que, para Edith, continha ‘toda a verdade’. Exerceu
o cargo de livre docente no Instituto Superior de Pedagogia Científica até
1933, ano que, por decreto do governo alemão, seria proibida de toda atividade
pública. Diante deste fato, Edith Stein decide, naquele mesmo ano, entrar no
Convento Carmelita de Colonia, tornando-se, portanto, freira da Ordem Carmelita
Descalça, onde recebeu o nome de Teresa Benedita da Cruz (1938). Mesmo tendo
que dedicar-se às tarefas no convento e orações, Edith realizou um trabalho
filosófico relevante, sendo Ser finito e
Ser eterno, Ensaio de uma ascensão ao sentido do ser, um dos seus livros
que alcançou maior prestígio dentro da história da Filosofia
contemporânea. No ano de 1940, Edith
Stein foi presa pelo comando nazista e levada para o campo de concentração em
Auschwitz, na Polônia, onde morreu em 1942, executada em uma câmera de gás. Em
1998, o Papa João Paulo II, considerando-a mártir, canonizou-a com o nome Santa
Teresa Benedita da Cruz. Cf. in: GARCIA, Jacinta Turolo, Santa Edith Stein: da universidade aos altares.
[4] ELIADE, M., Tratado de História das Religiões, prefácio do autor.
[5] “Depois de vários estágios no
liceu feminino em Breslau, ela deu durante uma década as aulas de alemão no
instituto das dominicanas em Speyer, tanto no seminário para professoras quanto
no liceu para moças. Posteriormente assumiu um cargo de professora n Instituto
Alemão de Ciências Pedagógicas, em Munster; (...) participou ativamente dos
trabalhos do movimento das escolas católicas. No decorrer dos anos conquistou
um lugar de liderança espiritual na associação das professoras católicas.” Cf.
Stein, E., A Mulher: sua missão segundo a
natureza e a graça; trad. Alfred J. Keller. – Bauru, SP; EDUSC, 1999, p.12
[6] Idem, p.14
[7] Sobre este
assunto é bastante pertinente o estudo realizado pelo médico pediatra inglês
Winnicott com crianças que perderam os pais durante a Segunda Guerra Mundial e
que foram por ele atendidas no hospital em Londres. “Donald Woods Winnicott
nasceu em Plymouth, Devon, na Inglaterra, em 1896. Formou-se em Medicina no St.
Bartholomew’s Hospital, em Londres, tornando-se médico pediatra no ano de 1923,
mesmo ano que iniciou sua formação em psicanálise, já trabalhando no Paddigton
Childrens Hospital no qual permaneceu por quarenta anos. Qualificou-se como
analista de crianças em 1935. Winnicott, além do atendimento infantil, atuou
como professor, foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise por duas
gestões e escreveu uma obra extensa que ganhou muita importância para a área
psicanalítica pois os novos conceitos por ele apresentados sempre estiveram
embasados na experiência clínica que possuía. Faleceu em 1971, mas deixou um
legado importantíssimo para a humanidade com o qual ajudou e ajuda o homem a
“suportar a realidade, evitando a negação e podendo realizar tão plenamente
como seja possível a experiência da vida”. Cf. in: Winnicott, O Ambiente e os processos de maturação:
estudo sobre a teoria do desenvolvimento emocional. - Prefácio à edição
brasileira: José Ottoni Outeiral, p.12.
[8] Stein, E., A Mulher: sua missão segundo a natureza e a graça; trad. Alfred J.
Keller. – Bauru, SP; EDUSC, 1999, p.15
[9] A empadia é o tema de doutorado
de Edith Stein e uma das suas obras principais e mais reconhecidas.
[10] Sberga, Adair A., A formação da Pessoa em Edith Stein: um
percurso de conhecimento do núcleo interior – São Paulo: Paulus, 2014, p.
21
[11] Cf. idem, p. 19-21. Nosso artigo
não visa a pesquisa da natureza feminina, mas afirmamos a beleza e a
profundidade do pensamento steniano sobre a essência da mulher, especialmente
por ser escrito no início do século XX, momento de grandes debates a respeito
do papel da mulher na sociedade.
[12] Atrevemos a dizer até: em
qualquer tipo instituição de ensino.
[13] Idem, p.147-149
[14] Ïdem, p. 150
[15] LEMOS, Carolina Teles, Ensino Religioso nas Principais Tendências
Pedagógicas, in: SILVA, Valmor da (org.), Ensino Religioso: Educação Centrada na vida: Subsídio para Formação de
Professores – São Paulo: Paulus, 2004, p.120
[16] Sobre esta questão cf.:
USARRSKI, F., Etimologia do termo
religião e suas funções didáticas, in: Revista Diálogo,
agosto/setembro/2013, p. 15-19
[17] LEMOS, Carolina Teles, Ensino Religioso nas Principais Tendências
Pedagógicas, in: SILVA, Valmor da (org.), Ensino Religioso: Educação Centrada na vida: Subsídio para Formação de
Professores – São Paulo: Paulus, 2004, p. 121-136
[18]
Alguns dos muitos nomes reconhecidos dentro desta área são: Paul Tillich
(1886-1965), Rudolf Otto (1869-1937) e Mircea Eliade (1907-1986). Embora o
termo “fenomenologia da religião”, enquanto método de pesquisa das religiões,
tenha sido, acredita-se, cunhado por Gerardus van der Leeuw (1890-1950).
[19]
Sberga, Adair A., A formação da Pessoa em
Edith Stein: um percurso de conhecimento do núcleo interior – São Paulo:
Paulus, 2014, p. 151
[20]
Idem, p. 152