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domingo, 12 de dezembro de 2021

Fenomenologia da religião: método e objeto de estudo para o Ensino Religioso




 Resumo

 Este trabalho investiga a possibilidade de tornar a fenomenologia da religião o método para o ensino/aprendizagem na disciplina de Ensino Religioso, nos níveis escolares do ensino fundamental e médio. Tomando este pressuposto, buscamos no pensamento antropológico-filosófico de Edith Stein (1891-1942), filósofa da escola fenomenológica de Edmund Husserl, a base para nossa investigação. Verificamos que a forma como a pedagoga e filósofa Edith Stein apresenta o método fenomenológico, torna-o a melhor opção para aplicação dos conteúdos indicados nos Parâmetros Curriculares Nacionais para a disciplina de Ensino Religioso, além de desenvolver uma educação harmoniosa, por fazer do educador o agente que guia o educando para uma a reflexão responsável de como está agindo; ambos assumindo a parte que lhes cabe dentro do processo educativo.

 

Palavras-chave: Fenomenologia da religião; método; ensino religioso.

 Introdução

 

"Não há mais como negar a religiosidade como um modo próprio de ser no mundo. A busca das religiões e dos profissionais ligados ao acompanhamento espiritual e psicológico é hoje um direito do cidadão, como a alimentação, a saúde, a justiça e a educação". Massih (2009, p. 192)

            É comum ouvirmos a afirmação de que a manifestação do fenômeno religioso ocorre no homem que, diante de situações que provocam sofrimento ou conflito, necessita da crença em uma vida pós-morte ou de um ser superior que lhe sirva de consolo. Ou seja, no momento em que tudo parece não ter sentido, surge a fé na existência de outra vida, por exemplo, para dar sentido a uma situação caótica. As pessoas que pensam desta forma a respeito do fenômeno religioso, não estão de todo erradas, porém nos fazem lembrar de Henri Poincaré (1854-1912, cientista e matemático francês), que perguntou se um naturalista que estuda um elefante apenas no microscópio consegue conhecer suficientemente o elefante. O fenômeno religioso está longe de ser algo que se explique tão facilmente, por esta razão, deixou de ser objeto de estudo apenas das ciências humanas e passou a ser explorado nas mais variadas áreas do conhecimento.

O que é fenômeno? Aquilo que aparece, que se manifesta, se mostra e, se há algo que aparece (não apenas fisicamente) é porque há um sujeito que o percebe. Este que percebe deve dizer o que significa o percebido; que sentido tem isto que ele percebe. Para conseguir este resultado (dizer aquilo que percebe) é necessário o uso de um método: a fenomenologia. Cremos que é necessária uma breve exposição sobre fenomenologia.

Ao elaborar as bases da fenomenologia, Husserl parte da seguinte afirmação: o ser humano compreende o sentido (o que é essencial) das coisas, mas há coisas que o sentido não lhe ocorre imediatamente, logo, é preciso ‘colocar entre parênteses’ a existência dos fatos e buscar apenas o sentido para o sujeito que compreende. O que não significa negar a existência dos fatos e que, tão importante quanto encontrar o sentido do fenômeno, é explicar quem é este que compreende. A investigação fenomenológica cuida destas “duas frentes”: do objeto investigado e do sujeito que investiga. Para descobrir o sentido daquilo que aparece – o fenômeno – a fenomenologia investiga também o sujeito, afinal, se não há sujeito que percebe o objeto, então, não há objeto percebido e vice-versa. Ou, explicando de forma positiva: só há objeto percebido quando há sujeito que percebe.[1]

            A percepção é um elemento primordial para Husserl. Através dos sentidos – uns mais, outros menos – tem-se acesso à consciência. Logo, ser humano é ter consciência de estar realizando atos: ver, ouvir ou tocar algo sabendo que faz isto; é saber que se está vivendo (enquanto vejo, sei que vejo; tenho consciência disto). O ser humano, a partir da percepção, reage e também sabe que está reagindo. Diferentemente de uma ação por impulso, a pessoa pode ter a consciência de que toma uma decisão por impulso e isso é, segundo Husserl, um nível diferente de consciência do que a primeira (a respeito da percepção). Ademais, pode refletir, por exemplo, sobre o que vê e o que faz a partir daquilo que vê, por esta razão, pode-se afirmar que temos atos perceptivos, chamados corpóreos, atos psíquicos (impulsos, reações, etc) e reflexivos que são decisões, avaliações, chamados de atos espirituais, tudo sempre ‘anotado’ na consciência, que é sempre consciência de. Isto não faz da consciência uma substância pensante separada da matéria ou presente nela ou em algum lugar, tão pouco lhe dá um caráter psíquico ou espiritual. Consciência, na filosofia husserliana, é “ponto de convergência das operações humanas, que nos permite dizer o que estamos dizemos ou fazer o que fazemos como seres humanos”.[2] Para Husserl, ‘consciência de’ é intencionalidade: uma relação de intenção a, para definir o que a coisa é. Este “movimento” ficou conhecido como o retorno a coisa mesma – lema da fenomenologia. Há de se retirar todo o entorno da coisa, separa-la de tudo (preconceitos, pressupostos, crenças, teorias, por exemplo) e ‘colocar entre parênteses’ tudo o que seja predicativo, para então ter-se consciência de – a isto  Husserl nomeou de redução fenomenológica.

Sabe-se que a Fenomenologia, na busca de superar o dualismo clássico sujeito-objeto, procura descrever aquilo que se mostra. Isto ficou conhecido como ‘um retorno as coisas mesmas’; estudando as essências e todos seus problemas a partir de sua facticidade, pretende a compreensão das afirmações da atitude natural. O conhecimento, segundo as correntes filosóficas fenomenológicas, ocorre pelo processo descritivo ao sujeito que se dá conta de que suas percepções não esperam seu julgamento, elas ocorrem: “algo que eu percebo”. Na tentativa de descobrir o mundo, a  fenomenologia se põe diante deste, certa que verá apenas aquela faceta que lhe é possível ver, embora o que está diante de si, coloca-se totalmente como é. Sendo conhecedora da fenomenologia de Hussell e adotando esta linha filosófica como método para suas investigações, tomamos por base o pensamento de Edith Stein[3] que apresenta a revelação e a experiência mística como hipóteses para a compreensão do sentido do ser e afirma que, sendo hipóteses, o conteúdo religioso não pode deixar de ser examinado pelas ciências humanas. Se o objetivo for apresentar um sentido para o fenômeno religioso, a fenomenologia da religião é, obviamente, o método por excelência. Cito Mirceu Eliade:

“Um fenômeno religioso somente se revelará como tal com a condição de ser apreendido dentro da sua própria modalidade, isto é, de ser estudado à escala religiosa. Querer delimitar este fenômeno pela fisiologia, pela psicologia, pela sociologia e pela ciência econômica, pela linguística e pela arte, etc... é traí-lo, é deixar escapar precisamente aquilo que nele existe de único e irredutível, ou seja, o seu caráter sagrado.”[4]

 

Todavia, é um método consagrado para a pesquisa e os estudos em nível acadêmico, principalmente, nas ciências da religião e na teologia. Nosso intuito é verificar se este método poderia ser aplicado nos níveis escolares do ensino fundamental e médio, verificando também a forma como este método pode influenciar na formação dos adolescentes, afinal compreender a si mesmo e a tudo o que forma o humano, é o intuito maior e sempre presente da educação.

            No que tange ao ensino religioso, a abordagem fenomenológica possibilita ao aprendiz uma aproximação com a história, as artes, a filosofia, a sociologia, antropologia, psicologia, além das áreas da  linguagem e biológica, uma vez que o fenômeno religioso traz um núcleo de sentidos e significados múltiplos. Presente em todas as culturas e revelando através da simbologia, ritos, comportamento ético e afins, o fenômeno religioso deve ser estudado pela fenomenologia, porque é um método que não reduz o conhecimento a algo socioantropológico, e sim recupera e exalta a subjetividade expressa em várias chaves como: artística, política, relacional etc, vistas nas mais variadas experiências religiosas.

             

 

 

Desenvolvimento

 

            O ensino/aprendizagem ocorre, basicamente, de três formas: pela aplicação do conteúdo, que podemos chamar de ensinar pela palavra, pela ação pedagógica – as ações didáticas escolhidas para a apresentação do conteúdo – e, por fim, pelo exemplo do professor.

Evidentemente, o educador nunca conseguirá ser totalmente neutro. Sua forma de falar, seu agir, o que compreende sobre determinados conteúdos, até a escolha destes conteúdos são influenciados por determinadas convicções e princípios. Assim, como nas demais áreas do saber científico, também o ensino religioso requer um tipo singular de profissional. Ao propor a fenomenologia da religião como método de ensino/aprendizagem para a disciplina de ensino religioso, consequentemente, se propõe um perfil de professor, porém sem desqualificar outros métodos e, portanto, outros profissionais.

Como nossa abordagem trata também de um tipo específico de instituição de ensino, a saber: escolas particulares confessionais, quando buscamos o pensamento Edtih Stein para nortear nossa pesquisa, não o fizemos aleatoriamente[5]. Com longa e profunda experiência de sala de aula neste tipo de instituição, Stein possui propriedade o bastante para estabelecer certos fundamentos para o ensino religioso cristão. Segundo a educadora existem três ideias centrais quando se trata do ensino/aprendizagem: “a necessidade de uma educação harmoniosa, a fundamentação religiosa da ação educadora, o caráter especial da formação feminina.”[6]

A primeira ideia (educação harmoniosa) afirma que a criança depende de determinados cuidados para que se desenvolva de forma equilibrada (harmoniosa)[7]. Isto, no pensamento steniano, significa: orientar os desejos, os sentimentos e as vontades da criança, pois o que está em jogo é o equilíbrio físico e psíquico desta criança. Edith Stein fundamenta esta ideia na filosofia grega e na revelação religiosa-cristã, de maneira especial a doutrina de Santo Tomás de Aquino, fundador da Escolástica e grande conhecedor do pensamento aristotélico. Cito Edith:

“A imagem de Deus está presente na alma humana em forma embrionária. Para desenvolver essa forma interna, a criança precisa de ajuda dupla: do auxílio sobrenatural da graça e do auxílio natural do trabalho de formação humana. ”[8]

           

A primeira ideia abre caminho para a ideia subsequente que fala da necessidade da religião na formação do educando. Segundo a filósofa e carmelita descalça Edith Stein, cabe ao professor que trabalha em uma instituição que admite os ensinamentos cristãos como verdade, colaborar para a construção do reino de Deus, reino de justiça (uma sociedade justa). Ou seja, não é a doutrinação à religião cristã, mas quando afirma “reino de Deus” refere-se a um mundo pacífico, justo e benévolo. Neste ponto, a educadora trata da relação de proximidade e confiança que deve ser construída entre professor e aluno. Este é o ponto que interessa-nos expor neste artigo. Edith aconselha que seja estabelecida entre professor e aluno: uma relação que tenha por base o sentimento de empatia[9].

Para Stein, educador e educando formam uma “unidade orgânica”, ou seja, é necessária uma relação de confiança tal, que o ato de educar seja, na verdade, uma orientação que possibilite a ação do aluno. O professor é um guia que percebe – por estar atento – as lacunas que precisam ser preenchidas na vida do educando. Desta maneira, os termos guiar e educar tornam-se termos conexos. Aliás, sobre o conceito formação é preciso saber que, para Edith Stein, educar significa formar um material, ‘dar forma a’, por isso, muitos elementos devem ser levados em consideração durante o processo formativo, que mais é um “conduzir para uma sabedoria de vida, para a realização plena de si”.[10]

A terceira ideia a respeito da formação humana, segundo Stein, está ligada a própria natureza, ou seja, questões pedagógicas devem seguir fundamentos antropológicos. Edith Stein percebe que a pedagogia aplicada, na época, baseava-se exclusivamente na psique masculina, então formulou um plano de reforma pedagógica para a educação de jovens moças baseado, especificamente, na essência feminina que, segundo Stein, corresponde a afetividade.[11] Nosso artigo não visa a pesquisa da natureza feminina, mas asseguramos muita beleza e a profundidade do pensamento steniano sobre a essência da mulher, especialmente por ser escrito no início do século XX, momento de grandes debates a respeito do papel da mulher na sociedade, sendo importante a investigação a este respeito e de nosso interesse para futuras investigações. Para a questão do nosso artigo, as duas primeiras ideias quanto a formação humanas mostram-se mais diretas para examinarmos o porquê do uso da fenomenologia como método para o ensino/aprendizagem na disciplina de ensino religioso para crianças, adolescentes e jovens numa escola confessional cristã[12].

Como já demonstramos, a fenomenologia tem como princípio mais elementar a busca pelas coisas mesmas. Transpondo isto para a educação pode-se compreender: buscar o educando mesmo, levando em consideração a questão antropológica sempre relevante no pensamento steniano (terceira ideia sobre educação). O ato de educar não pode visar apenas o conteúdo a ser ensinado, mas os agentes que participam desta ação. Há uma realidade na qual o ensino será exposto e uma individualidade a ser respeitada dentro do processo educativo. Cito Dra. Adair Aparecida Sberga:

“É por meio da educação, das experiências de vida, das relações humanas e/ou e outros fatores que a pessoa vai gradualmente fazendo a experiência de se expressar por si mesma, de formar seus pensamento de emitir suas opiniões e julgamentos e, quanto mais consciente estiver sobre o modo como está vivendo e agindo no mundo, mais possibilidades terá para agir com liberdade, autonomia e responsabilidade.”[13]

 

O método consiste, portanto, de dois passos: o primeiro, retirar tudo o que é superficial e pôr em evidência a essência do educando, para realça-la. Assim, o educador saberá ‘preparar corretamente as formas que a matéria precisa para ser moldada’. O segundo passo é a análise das vivências – algo totalmente subjetivo, cabendo preferencialmente ao educando, visto que ele precisa conseguir ‘tomar posse de uma forma’. O aprendizado é iniciado a partir de uma realidade concreta da vida, elabora-se conteúdos condizentes a tal realidade, para então produzir uma análise reflexiva que o faça “perceber a si mesmo e como interpreta e avalia suas próprias vivências”[14], tornando a formação bem mais que simples transmissão de conhecimentos de um indivíduo para o outro.

Na busca desta formação plena do estudante, a disciplina de Ensino Religioso, como em qualquer outra área do conhecimento, é marcada pela mudança de pedagogias que nortearam e norteiam a disciplina no Brasil. Verificamos que, basicamente, foram quatro tendências pedagógicas ao longo dos anos, no Brasil[15], isto porque o próprio termo religião sofreu uma série de traduções e influências no seu significado[16]. Sucintamente podemos apresentar as seguintes pedagogias[17]:

- Pedagogia tradicional: a concepção de religião está vinculada ao termo reeligere = reescolher, que tem por finalidade fazer seguidores, portanto a disciplina é uma doutrinação e tendo como principal metodologia a memorização.

-  Pedagogia renovada e pedagogia libertadora: a concepção de religião está ligada ao termo religare = religar, tendo por finalidade tornar as pessoas mais religiosas, sendo a disciplina de Ensino Religioso entendida como uma vivência de valores (ética) e com sua metodologia focado no ver, julgar, agir e celebrar (como funciona uma pastoral). Assim, o importante seria a vivência de valores através de gestos concretos.

- Pedagogia construtivista: vincula a concepção de religião ao termo relegere = reler, tendo por finalidade reler o fenômeno religioso e compreendendo a disciplina de Ensino Religioso como área do conhecimento centrada no fenômeno religioso; sua metodologia é o convívio social, a relação entre as culturas e tradições religiosas.

Todas as quatro pedagogias apresentadas estão ligadas a uma lei de ensino que vinculou em determinado período no Brasil. O artigo 33 das leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) n. 9.394/96 e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso (PCNER) afirmam, entre outros, que os procedimentos didáticos para esta disciplina devem considerar o sujeito (educando), o objeto (fenômeno religioso) e o objetivo (conhecimento), portanto, podemos observar que a pedagogia que mais condiz com o que a lei norteadora de educação para a disciplina de Ensino Religioso é a última pedagogia exposta: a pedagogia construtivista, que, ao que tudo indica, pode ser aplicada plenamente quando seu método for a fenomenologia da religião.

                       

Conclusão

 

Na introdução deste artigo, pretendi expor o que comumente se compreende por fenômeno religioso e apresentei seu conceito conforme a fenomenologia, segundo Edmund Husserll. Fiz desta maneira, pois o intuito era, justamente, aprofundar o entendimento sobre fenomenologia, visando o desenvolvimento do mesmo tema, a saber: se esta área e método filosófico é adequado para o estudo da disciplina de Ensino Religioso.

Na sequência, expus uma brevíssima explicação do que vem a ser a fenomenologia e apresento a biografia de Edith Stein, fenomenóloga e seguidora da escola husserliana, também pedagoga e freira carmelita. Existem sim vários outros renomados autores na mesma área[18], mas recorri a Edith Stein para a realização deste artigo por compreender que sua vida, tanto quanto sua obra, vão de encontro com minha pesquisa e anseios.

Iniciei a parte central deste trabalho, refletindo sobre algumas possíveis formas de ensino e, consequentemente, que perfil de educador é possível encontrar nas instituições de ensino. Fiz desta forma porque a proposta a qual me propus investigar tem uma relação intrínseca entre educando/educador/conteúdo. Revendo o trabalho, vejo que muito sobre o perfil do educador ficou por ser dito, mas acredito que outras fontes tratem desta questão de forma centralizada e efetiva, sendo que, para aquilo que nos propomos esta é uma discussão que corre paralelamente.

            Tomando diretamente a questão da análise do método, pude perceber que a fenomenologia é o método mais adequado para a disciplina de Ensino Religioso, porque reforça o que a pedagogia construtivista quer alcançar: a abordagem do fenômeno religioso através da observação, reflexão e informação, vinculando o saber de si ao convívio social e a relação entre as culturas e tradições religiosas, além de propiciar que o educando descubra este conhecimento, tornando o educador guia nesta trajetória.

Aprofundando a investigação a respeito da fenomenologia enquanto método verifiquei que a forma como Edith Stein indica o seu uso (partindo de uma análise antropológica – aquilo que há de mais essencial no ser humano), proporciona que a pessoa se torne consciente dos seus atos já no momento em que os realiza. Isto é mais do estar consciente de que está agindo, é estar consciente de como está agindo. É refletir a ação que está sendo praticada. Na maioria dos casos, o que se vê são métodos de ensino que não levam a uma reflexão a respeito da ação praticada ou só levam a alguma reflexão, após o ato cometido.

“O primeiro nível é de fundamental importância para o ato educativo, pois é a partir dele que se deve iniciar o processo pedagógico, mas se não se chegar ao segundo nível, não se atinge a finalidade da educação.”[19]

 

 

Tornar o educando consciente de suas ações, no momento em que estão sendo praticadas,  é uma das principais finalidades da educação, afinal a reflexão leva ao conhecimento de seu próprio eu. Logo, conhecendo bem a si mesmo, o educando tem maiores possibilidades de agir em prol de sua própria formação, até para solicitar auxílio. Mas o que nos parece de primordial importância na sociedade atual é a capacidade que desenvolve-se no educando de “assumir as responsabilidades perante o processo da própria formação”. O mundo atual possui um leque enorme de oportunidades de formação para aqueles que “chamam para si” a responsabilidade de atualizarem-se, pois a facilidade de acesso a informação é extraordinariamente maior do que foi para todas as gerações passadas. Cito:

“Esse processo educacional pode se dar por meio de seus comportamentos e atitudes, da averiguação de suas posturas relacionais e tomadas de decisão, da capacidade de construir seus projetos futuros e concretizar seus sonhos etc., sempre em vista de seu crescimento e aperfeiçoamento pessoal e social.”[20]

           

            Esta é a questão que precisamos estar atentos: o educador tem uma função indispensável, pois é ele quem “liga” o conteúdo e o aluno, contudo é limitado porque exerce uma influência externa. Apenas a partir da vontade do educando de se abrir e aceitar a formação é que se alcança a verdadeira atividade educativa. No que diz respeito ao ensino religioso, não se deve reduzir as experiências religiosas a formas de conduta.

  

Bibliografia

 

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            ELIADE, M., Tratado de História das Religiões, Trad. Fernando tomaz e Natália Nunes. – São Paulo-SP: WMFMartinsfontes 2010, 4ª ed., 479p.

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GARCIA, Jacinta Turolo, Santa Edith Stein: das universidade aos altares. Bauru-SP: EDUSC, 1998, 48p.

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            SBERGA, Adair A., A formação da Pessoa em Edith Stein: um percurso de conhecimento do núcleo interior – São Paulo: Paulus, 2014, 423p

SILVA, Valmor da (org.), Ensino Religioso: Educação Centrada na vida: Subsídio para Formação de Professores – São Paulo: Paulus, 2004, 152p.

STEIN, Edith, La Fenomenologia. Trad. do alemão por Alberto Pérez, José Mardonimgo e Constantino Ruiz Garrido. – Burgos-ES: Monte Carmelo, 2002 - Obras completas, vol. III – Escritos filosóficos

_____, A Mulher: sua missão segundo a natureza e a graça / Edith Stein, Carmelita Descalça; tradução Alfred J. Keller. -  Bauru, SP: EDUSC, 1999. 306p.

USARRSKI, F., Etimologia do termo religião e suas funções didáticas, in: Diálogo – Revista de Ensino Religioso, Ano XVIII – n. 71 - Agosto/setembro/2013, 66p.

VILHENA, Maria Angela, Ritos: Expressões e Propriedades – São Paulo: Paulinas, 2005, 159p.

WINNICOTT, Donald. W., O ambiente e os processos de Maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Trad. Irineo Constantino Schuch Ortiz. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1983, 268p.

_____, A família e o desenvolvimento do indivíduo. Trad. Jane Corrêa. – Belo Horizonte: Interlivros, 1980, 184p.



[1] ALES BELLO, Angela, Introdução à Fenomenologia, p. 23

[2] Idem, p. 45

[3] Edith Stein, filósofa de origem judaica, nasceu em Breslau-Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891. Começou seus estudos em Filosofia ali mesmo e, em 1913 transferiu-se para Gottingen para acompanhar as aulas e o pensamento de Edmund Husserl, por quem foi orientada durante sua tese de doutorado (1916) e tornando-se sua assistente mesmo depois da mudança deste para a faculdade de Friburgo.  No ano de 1921, converteu-se ao catolicismo após a leitura do livro de Santa Teresa de Jesus (de Ávila), intitulado Livro da Vida, que, para Edith, continha ‘toda a verdade’. Exerceu o cargo de livre docente no Instituto Superior de Pedagogia Científica até 1933, ano que, por decreto do governo alemão, seria proibida de toda atividade pública. Diante deste fato, Edith Stein decide, naquele mesmo ano, entrar no Convento Carmelita de Colonia, tornando-se, portanto, freira da Ordem Carmelita Descalça, onde recebeu o nome de Teresa Benedita da Cruz (1938). Mesmo tendo que dedicar-se às tarefas no convento e orações, Edith realizou um trabalho filosófico relevante, sendo Ser finito e Ser eterno, Ensaio de uma ascensão ao sentido do ser, um dos seus livros que alcançou maior prestígio dentro da história da Filosofia contemporânea.  No ano de 1940, Edith Stein foi presa pelo comando nazista e levada para o campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, onde morreu em 1942, executada em uma câmera de gás. Em 1998, o Papa João Paulo II, considerando-a mártir, canonizou-a com o nome Santa Teresa Benedita da Cruz. Cf. in: GARCIA, Jacinta Turolo, Santa Edith Stein: da universidade aos altares.

[4] ELIADE, M., Tratado de História das Religiões, prefácio do autor.

[5] “Depois de vários estágios no liceu feminino em Breslau, ela deu durante uma década as aulas de alemão no instituto das dominicanas em Speyer, tanto no seminário para professoras quanto no liceu para moças. Posteriormente assumiu um cargo de professora n Instituto Alemão de Ciências Pedagógicas, em Munster; (...) participou ativamente dos trabalhos do movimento das escolas católicas. No decorrer dos anos conquistou um lugar de liderança espiritual na associação das professoras católicas.” Cf. Stein, E., A Mulher: sua missão segundo a natureza e a graça; trad. Alfred J. Keller. – Bauru, SP; EDUSC, 1999, p.12

[6] Idem, p.14

[7] Sobre este assunto é bastante pertinente o estudo realizado pelo médico pediatra inglês Winnicott com crianças que perderam os pais durante a Segunda Guerra Mundial e que foram por ele atendidas no hospital em Londres. “Donald Woods Winnicott nasceu em Plymouth, Devon, na Inglaterra, em 1896. Formou-se em Medicina no St. Bartholomew’s Hospital, em Londres, tornando-se médico pediatra no ano de 1923, mesmo ano que iniciou sua formação em psicanálise, já trabalhando no Paddigton Childrens Hospital no qual permaneceu por quarenta anos. Qualificou-se como analista de crianças em 1935. Winnicott, além do atendimento infantil, atuou como professor, foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise por duas gestões e escreveu uma obra extensa que ganhou muita importância para a área psicanalítica pois os novos conceitos por ele apresentados sempre estiveram embasados na experiência clínica que possuía. Faleceu em 1971, mas deixou um legado importantíssimo para a humanidade com o qual ajudou e ajuda o homem a “suportar a realidade, evitando a negação e podendo realizar tão plenamente como seja possível a experiência da vida”. Cf. in: Winnicott, O Ambiente e os processos de maturação: estudo sobre a teoria do desenvolvimento emocional. - Prefácio à edição brasileira: José Ottoni Outeiral, p.12.

[8] Stein, E., A Mulher: sua missão segundo a natureza e a graça; trad. Alfred J. Keller. – Bauru, SP; EDUSC, 1999, p.15

[9] A empadia é o tema de doutorado de Edith Stein e uma das suas obras principais e mais reconhecidas.

[10] Sberga, Adair A., A formação da Pessoa em Edith Stein: um percurso de conhecimento do núcleo interior – São Paulo: Paulus, 2014, p. 21

[11] Cf. idem, p. 19-21. Nosso artigo não visa a pesquisa da natureza feminina, mas afirmamos a beleza e a profundidade do pensamento steniano sobre a essência da mulher, especialmente por ser escrito no início do século XX, momento de grandes debates a respeito do papel da mulher na sociedade.

[12] Atrevemos a dizer até: em qualquer tipo instituição de ensino.

[13] Idem, p.147-149

[14] Ïdem, p. 150

[15] LEMOS, Carolina Teles, Ensino Religioso nas Principais Tendências Pedagógicas, in: SILVA, Valmor da (org.), Ensino Religioso: Educação Centrada na vida: Subsídio para Formação de Professores – São Paulo: Paulus, 2004, p.120

[16] Sobre esta questão cf.: USARRSKI, F., Etimologia do termo religião e suas funções didáticas, in: Revista Diálogo, agosto/setembro/2013, p. 15-19

[17] LEMOS, Carolina Teles, Ensino Religioso nas Principais Tendências Pedagógicas, in: SILVA, Valmor da (org.), Ensino Religioso: Educação Centrada na vida: Subsídio para Formação de Professores – São Paulo: Paulus, 2004, p. 121-136

[18] Alguns dos muitos nomes reconhecidos dentro desta área são: Paul Tillich (1886-1965), Rudolf Otto (1869-1937) e Mircea Eliade (1907-1986). Embora o termo “fenomenologia da religião”, enquanto método de pesquisa das religiões, tenha sido, acredita-se, cunhado por Gerardus van der Leeuw (1890-1950).

[19] Sberga, Adair A., A formação da Pessoa em Edith Stein: um percurso de conhecimento do núcleo interior – São Paulo: Paulus, 2014, p. 151

[20] Idem, p. 152